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Silêncio 63

Quase 50 anos após o violento embate entre operários grevistas de uma siderúrgica mineira em Ipatinga e militares, Silêncio 63 aponta a câmera para os 'nós' formados nesta cidade calada. Uma cidade que testemunhou, em primeira mão, o ensaio geral do que veio a ser Golpe Militar de 1964 e que sufocaria o país por 21 anos. É o silêncio que nos conta esta história. A cidade de Ipatinga, no Vale do Aço mineiro, preenche as lacunas do calado, do reprimido e do omitido com um silêncio passivo. O trágico incidente ficou conhecido como Massacre de Ipatinga. Fábio Nascimento procura o silêncio em que sua geração foi criada e mantida e com o qual ele próprio teve de lidar na adolescência, quando pela primeira vez ouviu, entre amigos da escola, boatos sobre o tal massacre. Na escola não se fala. Em casa não se fala. No cinema muito menos. Em posse de uma única fotografia, ele decidiu, então, reparar. E perguntar. Se interessou mais pelo fato de ainda não se falar sobre o incidente, tanto tempo depois, que pelo evento em si. Em realidade, o Massacre de Ipatinga havia sido resultado de um choque entre militares e operários da Usiminas, em 7 de outubro de 1963, fato que, posteriormente, foi diretamente ligado ao Golpe Militar que ocorreria no ano seguinte, em 31 de março de 1964. Ipatinga é uma cidade jovem, emancipada quatro semanas após o golpe, desenvolvida em torno da Usina. Os envolvidos vivem ainda nas mesmas casas.

Tema: DIREITOS HUMANOS

Tags: ditadura, golpe_militar, ipatinga, silêncio, usiminas

FICHA TÉCNICA

País: Brasil

Duração: 24'02"

Diretor: Fábio Nascimento

Produtor: Flávia Vilela

Ano: 2011

Formato: HD

Montagem: Fábio Nascimento

Som Direto: Camille Barrat

Fotografia: Felipe Hutter

Trilha: -

Prêmios:
- 11ª Goiânia Mostra Curtas, Brazil, 2011 . Melhor Diretor - Muestra de Cortometrajes por la Identidad Catalunya, 2011 . Menção Honrosa - “Picture this” International Film Festival, Canada, 2012 . Menção Honrosa Documentário

Festivais:
-Semaine des Arts de Paris VIII, in France. 20 Mars to 1 April 2011 -Short Film Corner of the Festival de Cannes, in France. 11 to 21 May 2011 -12º Mediterranean Film Festival in Široki Brijeg, Bosnia and Herzegovina. 22 to 27 August 2011 -Film Forum Zadar, in Croatia. 23 to 30 August 2011 -3rd Sintetitza Short Film Festival (Festival internacional de curtmetratges dels Pirineus), in Spain. 18 to 25 Septembre 2011 -13th Norrkoping Film festival Flimmer, in Sweden. 30 September to 9 Octobre 2011 -11ª Goiânia Mostra Curtas, in Brazil. 4 to 9 Octobre 2011 . BEST DIRECTOR AWARD -6ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos da América do Sul, in Brazil. 10 Octobre to 1 Decembre 2011 -Mois du Film Documentaire, in France. 1 to 30 Novembre 2011 -5th "Cinéma Verite" Iran International Documentary Film Festival, in Tehran, Iran. 8 to 12 Novembre 2011 -33 Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano, in La Havana, Cuba. 1 to 11 December 2011 -3rd Rencontre Cinématographique El Sur: Festival International du Court Métrages, in Paris, France. 30 Octobre to 27 Novembre 2011 -29th Environmental International Film Festival 2012, in Paris, France. 7 to 14 February 2012 -10º Festival Primeiro Plano, in Brazil 21 to 26 Novembre 2011 -Picture this…international film festival, in Canada. 13 to 15 February 2012 . HONOURABLE MENTION IN THE DOCUMENTARY CATEGORY -Muestra de Cortometrajes por la Identidad Catalunya, in Barcelona, Spain. 30 Nov to 2 December 2011 . HONOURABLE MENTION -15ª Mostra de Cinema de Tiradentes, in Brazil. 20 to 28 January 2012 -Mostra de Cinema Llatinoamericà de Lleida, Spain 23 to 30 March 2012 -Prix André Targe / Prix AT et Cie, France 28 February 2012 -Toulouse's Cinelatino Film Festival, France 23 March to 1 April

Filmografia do Diretor:
• Em 2005, integrou a equipe de realização do documentário brasileiro colaborativo entre colegas da Faculdade de Comunicação que foi lançado no ano seguinte – “Conquista”, filmado no mais antigo assentamento do Movimentos dos Trabalhadores Sem Terra do Brasil;
• Em 2009, editou “Dix fois au debut”, curta-metragem francês dirigido por Greta Lorez e “apadrinhado” pelo cineasta alemão Wim Wenders;
• Em janeiro de 2009, colaborou na realização e fotografou o documentário francês “Iya Shango”, filmado no Benim (África), e atualmente em montagem;
• Em 2010, co-produziu e mixou o som do curta-metragem brasileiro em 16mm “Uma noite” (Daniela Santos e José Eduardo Limongi);
• Está atualmente em fase de pré-produção do documentário franco-brasileiro “Minha escola é um pé-de-manga” (2012) sobre o educador mineiro Tião Rocha e os Centros Populares de Cultura e Desenvolvimento.


Comentário do Diretor: Como fazer um filme sobre o silêncio? A cidade de Ipatinga, no Vale do Aço mineiro, preenche as lacunas do calado, do reprimido e do omitido com um silêncio passivo. Quase 50 anos após o trágico incidente de 1963 que ficou conhecido como “Massacre de Ipatinga”, Fábio Nascimento aponta a câmera para este silêncio em que sua geração foi criada e mantida e com o qual ele próprio teve de lidar, na adolescência, quando pela primeira vez ouviu, entre amigos da escola, boatos sobre o tal massacre. Na escola não se fala. Em casa não se fala. No cinema muito menos. Em posse de uma única fotografia, ele decidiu, então, reparar. E perguntar. Se interessou mais pelo fato de ainda não se falar sobre o incidente, tanto tempo depois, que pelo evento em si. Em realidade, o “Massacre de Ipatinga” havia sido resultado de um choque entre militares e operários da Usiminas, em 7 de outubro de 1963, fato que, posteriormente, foi diretamente ligado ao Golpe Militar que ocorreria no ano seguinte, em 31 de março de 1964. Ipatinga é uma cidade jovem, emancipada quatro semanas após o golpe, desenvolvida em torno da Usina – órgão vital da cidade. Os envolvidos vivem ainda nas mesmas casas. E o silêncio também.

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  1. IRIS CLAUDIA NASCIMENTO disse:

    Primeiramente parabéns Fábio Nascimento pelo brilhante trabalho no resgate da nossa história, que infelizmente muitos até hoje desconhecem.

    Infelizmente esse silêncio relatado no documentário, ainda existe em todo que envolvi a USIMINAS (Rainha do Vale do Aço).
    Até mesmo nos absurdos que vem ocorrendo no HMC – Hospital Márcio Cunha que é mantido pela Fundação São Francisco Xavier, e que vive sob as asas da USIMINAS.
    Leiam o relato da minha cunhada abaixo.
    Esse é apenas um de muitos.

    Atualmente, muito tem sido comentado sobre o excesso de parto do tipo cesárea que são realizados no país, porém, nada se fala sobre problemas decorrentes da falta do mesmo em casos que são realmente necessários.

    Venho através deste, relatar a triste história que estamos vivendo aqui em nossa região, devido a problemas recorrentes de partos forçados.

    E imploro para que nos ajudem a acabar com o sofrimento de várias famílias por descaso e negligência de alguns profissionais da área da saúde.

    No dia 30/06/2015, dei entrada no HMC – HOSPITAL MÁRCIO CUNHA (FUNDAÇÃO SÃO FRANCISCO XAVIER), um conceituado hospital aqui no Vale do Aço.
    Estava grávida do meu primeiro filho, Miguel. O medico que me atendeu, disse que precisaria fazer um ultrasson para verificar o estado do bebe, assim como o tamanho e o peso. Porém, ele disse que não seria possível realizar o exame, já que passara das 21:00 e o setor responsável estava fechado, sendo assim que não iria me internaria. Como não estava sentindo contrações, apesar de estar dentro do período estimado pelo médico para realização do parto, preferi voltar para casa e no outro dia retornar ao HMC.

    No dia 01/07/2015, retornei, porém o mesmo medico não estava e a médica que me atendeu, disse que não era necessário a realização do ultrasson.
    O tempo foi passando e como a bolsa não se rompia, a médica rompeu a mesma, isso entre 15:00 e 16:00.

    Começava então o processo do parto anormal desumanizado.

    O tempo continuava a passar e o processo de dilatação estava muito lento. Meu esposo vendo meu sofrimento, pediu por várias vezes a médica, que fosse feito o ultrasson para saber como o bebe estava e se teria condições de vir ao mundo através do parto normal. Disse que se fosse preciso, pagaria pelo exame. Mas, ela se negava e afirmava que sabia o que estava fazendo, pois, já havia feito vários partos e que ela é que era a profissional.

    As 00:50, depois de muito sofrimento, o Miguel nasceu com 53cm de comprimento e 4,250kg. Porém não respirava e nem tinha batimento cardíaco.

    Meu esposo presenciou tudo. Enquanto o pediatra tentava ressuscitar o bebe, ele tentava manter a calma, para não me fazer sofre ainda mais.

    Por mais de 10 minutos, o pediatra ficou fazendo a massagem cardíaca no intuito de trazer o Miguel de volta à vida. E enfim meu esposo o ouviu dizer para as enfermeiras: “O coração dele voltou a bater”.

    Não tive o prazer de ter em meu colo por um momento que fosse meu tão esperado, desejado e amado filho.
    Em seguida, levaram ele direto para a UTI neo natal e meu esposo teve que ser forte para me amparar, enquanto sofria calado, por não saber o que estava acontecendo com nosso filho. Eu ao contrário, me desesperei, quase enlouqueci.

    Depois de estabilizado, permitiram que me esposo visse o Miguel. O pediatra não sabia explicar o que havia acontecido, pois segundo ele, durante o monitoramente no trabalho de parto, o bebê estava normal, bem, respirando e com batimento cardíaco.

    Porém, não precisa ser um profissional da área para saber que uma criança daquele tamanho nunca deveria ter nascido de parto normal. Muito menos ter ficado sofrendo durante 10 horas na minha barriga, sem conseguir respirar. Afinal, o líquido amniótico já se perdia desde as 15:00.

    Durante os dias que se passavam, a única esperança que nos restava eram as orações de amigos, colegas, conhecidos e desconhecidos.

    Em meio ao desespero, contamos toda a história para um amigo que é advogado e que pouco tempo antes disso acontecer, havia manifestado no facebook toda sua indignação contra o HMC, pelo mau atendimento prestado a sua esposa que também estava grávida.

    Com medo de que algo ainda pior viesse acontecesse com bebe dentro do HMC, meu esposo preferiu aguardar, porém esse advogado, contactou o responsável pelo jurídico do hospital e pediu para que ficassem atentos ao caso do Miguel, pois, tínhamos certeza que se tratava de descaso e negligência médica.

    É engraçado como tudo quando tudo, quando percebem que não estão lidando com pessoas leigas e que estávamos correndo atrás dos nossos direitos.

    De um dia para outro, todos no HMC começaram a nos tratar de uma forma diferente, até permitiram que por alguns minutos apenas, eu segurasse meu filho em meus braços e tirasse algumas fotos.

    Porém de nada mais adiantava. A atenção deveria ter sido dada antes do Miguel nascer.

    Se ele sobrevivesse, poderia ter seqüelas, afinal, ficou por 10 minutos sem respirar e sem batimento cardíaco. Isso, fora da barriga da mãe, pois, quem garante que antes ele já não estava assim? Afinal, foram 10 horas lutando para sofrer em um ambiente que até aquele momento havia sido o único que ele conhecia e que lhe mantinha seguro.

    Infelizmente, no dia 07/07/2015, Deus resgatou meu anjo Miguel e o levou de volta para o céu.

    Imediatamente esse advogado postou novamente no facebook, mais um desabafo. Porém, agora, falando da perda de um bebe por causa de um descaso médico.
    É impressionante como basta uma pessoa gritar, para que outras gritem também. Somente na página dele, foram mais de 400 curtidas, 120 comentários, sendo que a maioria deles, de mulheres que passaram por problemas iguais ou parecidos no mesmo hospital.

    Nesse momento, você para e pensa. Isso é normal? Não é um fato isolado?
    Mães estão sendo torturadas juntamente com seus filhos e ninguém faz nada?

    Apesar do advogado já ter dado início aos procedimentos legais e sabermos que será um luta desigual e muito difícil, pois, estamos lidando com uma entidade grande mesmo diante de tudo isso, não vamos desistir.
    Vamos gritar até que alguém nos ouça. Vamos gritar até que todos saibam o que realmente vem acontecendo aqui no Vale do Aço.
    E é por isso que eu imploro!
    Ouçam os gritos de milhares de mães e filhos que hoje não tem a quem recorrer.

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