INVICINES: Festival de Córdoba mostra filmes que não têm espaço nas telas tradicionais

postado em 11/05/2017


Inscrições para Festival de Cinema Social estão abertas até 30 de maio

INVICINES é um festival de curtas-metragens que têm alguma ligação com social e lidam com questões atuais para os grupos sociais que os produzem. A sua terceira edição vai acontecer em Córdoba, na Argentina, entre 2 e 9 de Setembro. A convocatória não competitivo permanece aberta até 30 de maio. Serão aceitos curtas-metragens feitos em oficinas audiovisuais, coletivos, escolas, universidades ou por cineastas independentes. O objetivo é receber, como nas outras versões, filmes que não são exibidos em outros festivais ou em salas comerciais.

Rodrigo Del Canto, fundador e diretor do Festival, explica nesta entrevista quais são os propósitos do INVICINES, como foram as edições anteriores e o que é o Cinema Social.

Promo | Participa de Invicines from Invicines on Vimeo.

1- O que diferencia INVICINES de outros festivais?
Rodrigo Del Canto – Invicines tem uma pegada forte no social. No seu perfil de programação e nas suas atividades. Nos interessa questionar a comunidade desde este lugar. O que nos diferencia de outros festivais é não ter curadoria. Nas duas primeiras edições, todos os curtas que nos chegaram através da convocatória e cumpriram os requisitas do regulamento foram exibidos (já projetamos mais de 100 curtas-metragens). Temos interesse em estimular a realização audiovisual em todos os níveis sociais e compartilhar esses olhares com os diferentes atores. Venha de onde vir, com qualidades e defeitos, mas sempre mantendo uma ótima qualidade de exibição. Neste festival, não nos importamos com os antecedentes dos realizadores, olhamos o trabalho com a comunidade e a força do seu relato mobilizador da realidade.

2 – Quais os principais objetivos de produzir um festival de cinema dos invisíveis?
RDC – Os principais objectivos são:
1- Visualizar e discutir as questões sociais da América Latina.
2- Promover o desenvolvimento de uma idéia, problema ou interesse através da linguagem audiovisual.
3- Possibilitar trocas de experiências.
4- Criar oportunidades para a reflexão crítica, onde os sujeitos são capazes de discutir e falar sobre o seu próprio trabalho e seu impacto na sociedade.
5- Incentivar a aprendizagem contínua e o livre acesso, a partir da realização de oficinas participativas.
6- Abrir janelas para a exibição de audiovisuais ligados à temáticas sociais e aos grupos sociais que os produzem.
7 – Fortalecer a rede de cinema participativo e comunitário de Córdoba, formada no passado anteriore; e ligá-la com outras redes latino-americanas.
Eu acho interessante que no festival percebemos haver muito mais gente, mais coletivos, grupos, espaço de realização informais do que realmente imaginávamos e que estão realizando outro cinema, que chamamos de cinema social. O cinema em si não deixa de ser social, mas no nosso coletivo estamos desenvolvendo em profundidade o conceito de cinema comunitário, social e participativo como uma forma de desvinculá-lo da indústria e do cinema autoral.

3- Nas duas primeiras edições do Festival, quais foram as características dos curtas inscritos?
RDC – Ao longo dos anos que realizamos o festival, foi esmagadora a quantidade de curtas que recebemos e, justamente, não espaço na tela de outros festivais, muito menos em salas comerciais de grandes empresas. Acredito que isso seja importantíssimo, tirar o curta-metragem da exibição “íntima” de um grupo e levá-lo à comunidade é a nossa maior conquista. Isso é algo recorrente, o grupo da oficina de cinema do Hospital Nueropsiquiátrico, por exemplo, realiza um curta que é mostrado para os seus familiares e só. Em casos assim, recebemos obras de escolas primárias e secundárias, institutos de menores infratores, instituições de saúde que trabalham com audiovisual, asilos.
Tivemos oportunidade, soubemos ver e conectar tudo isso que estava invisível. Misturamos com oficinas de capacitação, encontros e mesas redondas dentro do festival. Acredito que esse seja o maior objetivo cumprido. O festival mantém a cotidianidade dentro do regulamento, por isso os trabalhos que recebemos todos os anos tratam de temas concretos e atuais dos lugares onde foram feitos.

4 – Ao longo do ano, quais atividades o INVICINES propõe?
RDC- Ao longo do ano continuamos com o que chamamos de Invicines Rodantes, onde vamos a diferentes bairros e locais projetar curtas-metragens que fizeram parte do festival. Realizamos oficinas de produção audiovisual, em diferentes espaços da cidade de Córdoba para fortalecer o trabalho desses grupos nos bairros onde estão inseridos. Também mantemos ligações com outros festivais que nos cedem espaço para exibir parte das nossas programações nas suas programações.

5- Quem são os realizadores do Festival? Há uma maneira de colaborar com a realização?
RDC- Na organização geral somos duas pessoas envolvidas. Carolina Rojo e Rodrigo Del Canto, que também são os fundadores do festival. Depois, tem uma grande rede de colaboradores para as diferentes tarefas que são necessárias para o desenvolvimento. Sempre há pessoas que se somam e outras que talvez não continuem ano após ano. Existem sempre possibilidades de contribuir com o festival. Desde uma forma financeira, dando dinheiro para pagamento de algumas despesas (todas as atividades do festival são gratuitas), até colaborando com alguma tarefa específica. Tem pessoas que nos ajudam doando um prêmio para uma rifa. Entregando programações e convites. De tudo. É incrível o poder do ser humano nestes tipos de acontecimentos. Uma pessoa realmente se dá conta do valor da amizade e da união entre as pessoas pela energia que trocamos quando nos ajudamos.

CONVOCATÓRIA 2017

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