2486 visualizações
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 3.0/5 (1 vote cast)

Oráculo das Águas

Oráculo das Águas foi feito como uma forma de investigação da situação dos moradores que enfrentam a rotina de enchentes que ocorrem na periferia da cidade de São Paulo, no caso, moradores de bairros da zona leste da cidade que ficaram mais de 50 dias com ruas e casas inundadas no período de dezembro de 2009. O filme destina-se a levantar uma denúncia sobre a nossa tão cantada “Democracia”, que no caso brasileiro não passa de uma falácia, pois se trata de uma pseudo-democracia fragmentada que não agrega a maior parte de seus cidadãos, deixando essa parcela mais carente sem participação e sem voz. De forma que a tese que o filme levanta é a de que no caso brasileiro não se trata de um Estado Democrático, mas sim, segundo Aristóteles, de um Estado Aristocrático, pois o age de forma seletiva na garantia dos direitos de seus cidadãos.

Tema: DIREITOS HUMANOS

Tags: enchente, metrópole, metrópoli, periferia, são_paulo

FICHA TÉCNICA

País: Brasil

Duração: 5'

Diretor: Luís Roberto Carvalho

Produtor: Luís Roberto Carvalho

Ano: 2011

Formato: HD

Montagem: Luís Roberto Carvalho

Som Direto: Luís Roberto Carvalho

Fotografia: Luís Roberto Carvalho

Festivais:
Festival Tela Digital 2011

Filmografia do Diretor:
Causo; Moda: Catira - Documentário Média-metragem - 2011
Oráculo das Águas - Documentário Curta-metragem experimental - 2011
Autofagia - Documentário Curta-metragem experimental - 2007
Hybris - Curta-metragem experimental - 2004


Comentário do Diretor: São Paulo sofreu com fortes chuvas no período de dezembro de 2009, permanecendo por mais de 30 dias consecutivos sob tempestades diárias. E quem mais sofreu com os efeitos das águas foram os pobres moradores das periferias da cidade. Apesar de cessarem os dias de chuva, certos bairros chegaram a ficar por mais de 50 dias submersos, com sua população exposta às mais diversas patologias trazidas por esse tipo de calamidade. Foram várias as mortes causadas pelos mais diversos motivos: de soterrados por deslizamentos de terra em áreas de risco, à vítimas de leptospirose. Em meio à dor das perdas, famílias precisaram enfrentar praticamente sozinhas à fúria das águas, já que mais uma vez o Estado se mostrou omisso perante os problemas e demandas dessa parte da população.
Seria muito fácil culpar a natureza por esse tipo de calamidade, porém quando essas terríveis histórias se repetem anualmente na cidade de São Paulo, fica impossível ver o próprio homem como maior responsável. O inchaço das grandes metrópoles, a urbanização descontrolada, a impermeabilização do solo, a falta de saneamento e de fiscalização por meio das autoridades competentes são alguns dos motivos que podem ser pensados quando presenciamos esse tipo de tragédia. Mas aí vem a pergunta: não seria uma tragédia anunciada?
Oráculo das Águas é uma representação da calamidade generalizada que tomou conta da cidade nesses dias. Trata-se de uma investigação poética desses dias de dor vividos por uma parcela da população que possui uma voz, porém nunca é ouvida pelos homens públicos de nosso país. De modo que podemos dizer que não possuem rostos, pois esses são praticamente ignorados pelo Estado, e só são lembrados nos momentos que antecedem períodos eleitorais; daí expor as vozes e não as faces dessa parcela esquecida de nossa população.
O filme se integra dentro da prática do cinema de guerrilha, ou seja, um assalto à realidade in loco. Produção de uma equipe de um homem só, onde o primordial é a apreensão de certo fenômeno real que se apresenta de modo fugaz, e que por isso necessita desse tipo de estratégia.
Esse documentário experimental pode ser entendido como uma representação do tipo de democracia representativa fragmentada que se desenvolveu no Brasil. E fragmentada acaba sendo a narrativa desse curta-metragem. Uma narrativa que caminha a passos lentos, que se desenrola de forma circular; construída por meio de contrastes, da mesma forma com que é construída nossa tão cantada democracia.
Em seu livro “O Estado é Meio e não Fim”, Ataliba Nogueira diz: “Sem o reconhecimento e o respeito dos direitos, sem dar ele a cada um o que é seu, sem fazer justiça a todos; falha completamente o Estado à sua finalidade e nem é possível realizar a sua tarefa positiva de prosperidade pública”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

    Este curta ainda não foi comentado. Seja o primeiro!

CURTAS RELACIONADOS

Meu lar Vicentino

Documentario que registra o trabalho voluntario de Tatiane Medina e a vida de pacientes da terceira idade, no Lar vicentino...

Vida Loca

O documentário “Vida Loca” conta a história de jovens em conflito com a lei que tiveram suas vidas marcadas. São...

O pequeno Sergio

O documentário se passa em uma pequena comunidade de Ciudad Bolívar, situada nas montanhas que rodeiam a cidade de...

Lotado

O problema da superlotação nas penitenciárias do Rio de Janeiro, através de depoimentos de um ex-presidiário, dois ex-diretores do DESIPE,...

Alma, corazón y vida

En 2001, Argentina entró en una gran crisis, donde muchas fábricas internacionales cerraran. Muchos empleados tomaron estas fábricas para conservar...

Flor na Lama

Jovens da periferia do Rio de Janeiro expressam suas opiniões sobre as chacinas e o convívio na comunidade. Eles participam...